Gravuras de João Werner ilustram 101 poesias
Outras informações sobre o artista
- Estas gravuras, pinturas e esculturas que apresento nesta página foram escolhidas por poetas, ensaístas e editores através da internet para ilustrar seus artigos e poesias.
Um poeta procura uma imagem no Google ou no Bing sobre, por exemplo, 'boteco', ou sobre 'forró' ou sobre 'mulher nua', quem sabe? Encontra as minhas gravuras em sua pesquisa. Gosta delas e as utiliza para ilustrar o seu blog ou site.
Deste início fortuito, às vezes tenho a sorte de iniciar um diálogo internético-criativo.
Das poesias que aqui apresento, seus criadores tiveram a gentileza de citar a minha autoria, por isto os encontro. Suponho que os que se utilizaram de minhas imagens
sem citar-me são em número bem maior. -
Links nesta página
Ilustrando poesias em 2011
Ilustrando poesias em 2010
Ilustrando poesias em 2009
Ilustrando poesias em 2008
Ilustrando poesias em 2007
Poesias sem data
Veja também Gravuras que ilustram contos, artigos e ensaios
Pintura ilustrando publicação impressa
"Fronteiras, Poemas", livro de Cida Sepúlveda
A gravura digital 'Moça dormindo' ilustrou a capa do livro 'Fronteiras, Poemas', de Cida Sepulveda. Campinas (SP), Editora Pontes, 2008. 74 pp.
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2012, na internet
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2012, janeiro 20 - Minha pintura digital "Casal III" foi exibida no blog "Das tripas coração", ilustrando a poesia "O aprendiz", de João Pedro.
Desejava uma clareza sempre igual.
Que zelasse eternamente consciente.
E vogasse, mesmo sem ter vento…
Mas de uma alegria, extrai um tormento.
Como algo transparente, que esquece de repente,
o que julga ser banal.
Ainda não te disse, mas não sei ser feliz…
Nessa matéria, estudei só para aprendiz.
No entanto, é estranho…
Se tudo o que tenho, foi conquistado com amor.
Hoje, o meu coração, desenhou um poema.
Sobre este tema, ganhou-lhe inspiração…
Foi por ti, mais bela flor, fruto de paixão. -
2012, janeiro 09 - Minha pintura digital "Moça dormindo" foi exibida no blog "O imaginário", ilustrando a poesia "Canção noturna" da poeta Márcia Sanchez Luz.
Não quero mais que digas ter amor
por mim, quando bem sei que só me queres
para enfeitar teu corpo com prazeres
que ao fim me causam sofrimento e dor.
Não quero estar contigo e meu frescor
te dar inteiro. Eu sinto que me feres
porque desejas mais de mil mulheres
por garantia, para o teu louvor.
Esquece o que vivemos, eu te peço!
Foi tudo uma ilusão desenfreada
que agora finda e a paz é o meu ingresso
à vida que me espera mais ousada.
Isto é o que pagas pelo desapreço,
por me fazer chorar de madrugada
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2012, janeiro 02 - Minha pintura à óleo "Jovem anarquista" foi exibida no blog "Fragmentos de uma vírgula", ilustrando a poesia "Negativo - a contra cultura", de Tadeu Francisco. Quando o A vem para negar,
A falta não existe.
É apenas mais um A
Descrevendo a louca linha.
Quando o "Des" também a nega,
do desdém extraio a forma
E me ouso um poeta
cantador das várias covas.
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2011, na internet
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2011, novembro 18 - Minha escultura em resina "Amantes", foi exibida no blog "Le Monde Dans Mes Yeux", ilustrando a poesia "Terra prometida", de Márcio Ferraz.
"Amantes"
Em cada fio de cabelo
Deslizando em minhas mãos
Tenho de ti a melhor sensação
No brilho do teu olhar
Eu me rendo completamente
Como uma manhã luminosa
Uma questão de sentimento
Quem sabe você sinta
No seu coração
Tudo que tenho para lhe dar
Paixão, calor e afeto
Campos verdes me levam até você
Lendas e tradições
Sorria cada sorriso vale a minha vida
Coloque seu maior desejo, eu amarei
Sem sonhos não há realidade
Isto é tudo um resumo da felicidade
Tentando apenas não pensar
A minha terra prometida em ti
O melhor preço é aquele que pagamos com amor
Fique comigo está noite. -
2011, junho 15 - Minha gravura digital "Sátiro entre cogumelos" foi exibida no blog "Pescador de pensamentos", ilustrando a poesia "Errando demasiadamente errando", de autoria de Adriano C. Tardoque.
Necessário.
Experiencia,
Contraditório,
Vivência.
Consciente,
inconsciente,
humano,
demasiadamente!
Quantas vezes o tempo me permite errar?
Quantas chances terei eu de tirar proveito,
Das escolhas que faço, ou tenho desfeito,
Na insanidade mestra do "ter que acertar"?
Pois se me for negada, a faculdade do erro
Abre alas, então, para o carro fúnebre passar,
Convoca os músicos negros para o jazz, tocar,
E abre a cova funda, para meu enterro.
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2011, junho 09 - Minha gravura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog "Milton Martins & Temas Livres", ilustrando a poesia "Poeta beberrão", de Milton Martins.
Ah ! poeta falsificado
triste e doido beberrão;
rei da histeria tola
o que pensas da poesia ?
Julgas que diante dos copos ,
da garrafa vazia,
encontraras a musa do amor ?
enganado estás meu caro medíocre !
a musa imaculada que buscas,
aquela que o verdadeiro poeta canta,
não está no brilho d’uma garrafa,
Ilustre beberrão !
Porque a musa doce e bela
a pura e límpida impressão,
É a alma limpa que chama
É o espírito são que revela...
Ilustre beberrão. -
2011, junho 14 - Minha pintura à óleo "Carregadores" foi exibida no blog "Imagens, poesias e informações", ilustrando poesia de Bertold Brecht. Postado por Maria José Speglich.
"Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?" (fragmento)
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2011, maio 25 - Minha gravura giclée "A vida, etílica, é muito melhor" foi exibida no blog "As ideias de um Renato", ilustrando a poesia "Dona de mim", de autoria de Renato Souza:
A vida, etílica, é muito melhor
Você me deixa louco, me tira do sério
Me faz perder a cabeça
Fazer e dizer coisas que sem ti nunca faria, nunca diria
Me torno outro junto de ti
Somos uma dupla e tanto
Mas no fim sou eu quem sempre leva a pior
Acordo largado, jogado num canto
Sozinho
Me deixa pra trás, se esquece de mim
E mesmo assim eu volto, procuro novamente seus braços
Seu colo quente a me acolher
Me pede para entrar e sem pudor algum eu te possuo
Submissa
Me deixa no controle
Me engana
Sou teu dono e você na espreita, louca para virar o jogo
E vira
Me vence
Me deixa prostrado, caído, humilhado no chão
Aos seus pés, suplico mais um dose
E você me rejeita
Tão dona de mim
Me coloca na cama e às vezes nem nela, nunca canto no chão frio ou no desconfortável sofá da sala
E eu acordo ainda sonado, aos prantos, com a cabeça a explodir
Sozinho, ainda sob seus efeitos
Defeitos
Levanto
Juro nunca mais te procurar
Sou fraco
No mesmo dia já estou lá, de quanto a sua espera
Sempre rainha, soberana e dona de mim
Mais uma dose, é claro que eu estou a fim
Seco a garrafa para fugir e lá é você quem eu encontro
E isso se torna um circulo vicioso
Eu fugindo e te encontrando
Você me ignorando e me aceitando
E eu jurando nunca mais me embriagar. -
2011, abril 21 - Minha escultura "Maternidade" foi exibida no blog "Rua das Pretas", ilustrando a poesia "Arte poética" de António Ramos Rosa:
Se o poema não serve para dar o nome às coisas
outro nome e ao seu silêncio outro silêncio,
se não serve para abrir o dia
em duas metades como dois dias resplandecentes
e para dizer o que cada um quer e precisa
ou o que a si mesmo nunca disse.
Se o poema não serve para que o amigo ou a amiga
entrem nele como numa ampla esplanada
e se sentem a conversar longamente com um copo de vinho na mão
sobre as raízes do tempo ou o sabor da coragem
ou como tarda a chegar o tempo frio.
Se o poema não serve para tirar o sono a um canalha
ou ajudar a dormir o inocente
se é inútil para o desejo e o assombro,
para a memória e para o esquecimento.
Se o poema não serve para tornar quem o lê
num fanático
que o poeta então se cale."
-
2011, março 10 - A poeta Clevane Pessoa escreveu o poema "Hostoriazinha de amor", inspirada pela minha exposição "Motel barato".
Mulher que foi botão de rosa , filha de mãe carinhosa
e pai que não foi machista
cuidada, orientada, bonequinha mimada.
casa-se com brutal perseguidor
o que persegue- a- dor
com prazer,
para subjugá-la.
Marca-a com ponta de cigarro,
chuta-lhe a barriga prenhe
e ela perde o rebento,
arrebentada.
Foge na madrugada.
Chove,ela escorrega, fere os joelhos, torce o pé.
Moço bonito oferece ajuda.
leva-a ao motel barato.
Limpa-a, banha-a, com mágicos dedos de prestigitador
- o -que afasta a dor-
e lhe faz amor.
Depois disso, convida-a para ser moelo vivo, tela viva
e os dois trabalham numa vitrina
onde trocam olhares apaixonados.
Depois,quando a loja do prazer se fecha, ali em Amasterdã, para onde figiram
por temer represálias do carrasco, ele a leva ao motel barato
-pois ainda não têm um lar-
e retira toda a sua arte naquela pele de seda.
Cria outra, invisível aos olhos comuns, com os dedos de criador,
o que anulou a dor,
Agora, esse espaço encardido , com puídas cortinas
pink ,azulejos amarelados e pretos no rejunte, e cheiros fortes
é agora,o paraíso,
de um grande amor, retrato
e nem parece um motel barato... -
2011, março 01 - Minha gravura digital "Enxugando os cabelos" foi exibida no blog "Artes e escritas", ilustrando a poesia "Nudez" de Yayá.
Pegar gravetos como se peixes fossem
Ao mar. Recolhe avencas em infusão,
Aquece ao estar sem horas visando montes,
Em águas mornas, doces sais de imersão.
Paixão d’uns anjos nus nas preces desse ontem,
Aguarda e banha-se em ato de oração
Da seiva em flor, na busca da ultimação
D’ amor fiel numa indizível corte.
Da sorte, nada diz e cala-se a fonte
Em gesto pródigo, fineza e perdão
Na fé que roga, implora e nega um afronte.
Que seja um banho preguiçoso. Não conte
Ao mal das águas dessa libertação
E faz desfeita a mágoa no horizonte.
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2011, fevereiro 21 - Minha gravura digital "Ninfas dançando" foi exibida no blog "Viagem ao centro da tela", ilustrando a poesia "Ritmo e sintonia" de Ermes Le Fou.
Em um instante ela começa
e já não sou mais quem eu era antes.
Perco os sentidos, me descontrolo.
Eu canto, danço, me liberto.
O mundo a minha volta se transforma
diante de meus olhos como que por mágica
e a energia começa a fluir de todos os lados.
Todos meus movimentos parecem ganhar vida própria.
Não sei por quanto tempo ela se estende.
Cinco, dez, vinte minutos...
Isso realmente não importa.
Ela vai me dominando como quem não quer nada
e logo toma controle de todo meu ser.
O som se torna cada vez mais alto e me pergunto
se ele vem do mundo para mim, ou de mim para o mundo.
O som se torna cada vez mais alto e é delirante a sensação de liberdade.
Liberdade essa que me entrego sem medo, sem pensar...
Tudo é vibração, tudo é ritmo
Tudo é energia, tudo é cinética
Tudo se interliga
Sou o ar, sou o som, sou o céu, sou o chão.
Como um balanço que vai perdendo a força
Ela vai diminuindo o ritmo até cessar...
Aos poucos retorno ao meu corpo.
Meu espírito encontra o caminho de casa.
A realidade retoma sua harmonia costumeira
e eu mal posso esperar para retomar a minha harmonia! -
2011, janeiro 30 - Minha gravura digital "Homem na escuridão" foi exibida no "Blog do Bourdoukan", ilustrando o texto "Ecce Homo", do autor.
A humanidade é uma ave de asas partidas
Que vaga no Universo rumo ao desconhecido
Em busca de um sentido para a vida.
Tem o alucinado por guia.
Navega uma rocha movida pela soberba,
Pela arrogância e pela paixão.
O eu é, o ele não é. Um louvor à imperfeição.
A humanidade é um espelho embaçado
Alimentado pelo desespero e pela incerteza.
Fome e ódio não permitem pensar no amanhã.
A natureza não cria indigentes.
O destino, uma profundidade insondável,
Uma porta da qual só você tem a chave.
Do destino, homem algum escapou.
Nada é definitivo, nem a morte.
Vontade de viver, vontade de poder,
Eis a verdadeira dimensão do homem
Para atingir o eterno e superar o infinito.
Maior que o infinito menor que o imenso.
Procure o intermediário entre o
Saber e o ignorar e terá
O invisível sustentando o visível,
A essência superando a existência.
Não há limite para o possível.
Saber questionar é viver,
Aceitar o dogma é anular-se.
Quem pode entender a razão humana?
O homem é algo que precisa ser superado.
Brutalidade e ganância movem o planeta.
O homem animal doméstico do homem.
O que é o homem?
Ele é aquele que troca a alma pelo lucro
Ignorando o que a história ensina.
Onde houver opressão haverá Revolução
Eis o Homem.
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2010
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2010, dezembro 30 - A poeta Clevane Pessoa escreveu uma poesia inspirada nestas minhas Ninfas:
Trilogia, tríade, trio de mulheres gráceis, as três graças
não se tornem des/graças,
mas promessas de fertilidade
e possam chamar a chuva.
Sempre no gerúndio, en/cantando,
dançando,
atraindo,
num continuum de graciosidade.
Mulheres atemporais, gregas, romanas, egípcias
wiccanas, indígenas, hodiernas a celebrar a liberdade de ser.
A música, cada um ouça a que soa, ressoa
em seu self , em seu coração e alma
e vibre através dos poros.
A música ensinada às criaturas
pelo movimento das águas,
pelo tatalar das asas,
pelas travessuras da brisa,
pelo ritmo do capim e do trigo,
pela viagem incessante das nuvens grávidas
ou engravidando,
é um presente :
basta seguir um ritmo e dar vazão à alegria
de estar para ser,
vivo e resiliente... -
2010, agosto 18 - Minha gravura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog "Lua dos apaixonados", ilustrando a poesia "A poesia e o poeta" de autoria de M@ José.
"Deus criou a poesia
Para ser apreciada
Em qualquer hora do dia
Deve ser admirada.
Do nada o poeta cria
Expressando seu sentimento
Mostrando sua sabedoria
Gerada do pensamento.
Oh! Poeta que tanto ama!
E sensibiliza os seus leitores
Utiliza palavras e proclama
Amor a tantos amores.
Nas idéias do poeta
Em tudo tem poesia,
A emoção é completa
Conquistando a simpatia."
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2010, outubro 26 - Minha pintura acrílica "Homem e natureza" foi exibida no blog "Bacanal - O canal dos Bacantes", ilustrando a poesia "Ipso colore", de Marcelo Farias.
"O próximo instante é incolor
poderá ser colorido
ou ficar mesmo sem cor " -
2010, setembro 30 - Minha gravura digital "Escolhendo feijõ3s" foi exibida no site "Recanto das Letras", ilustrando a poesia "Vida em bula" de Jorge Luiz da Silva Alves:
"O escopo de minha existência gradua-se no colorido das tarjas ou na posologia das horas: manhã, drágeas; tarde, gotas; noite, xaropes. Um pico mal dado e, se ao invés de capturar veias romper artérias, o estertor significará o epílogo do sofrimento e o início do alívio. Na pior das hipóteses, estação de transferência para a Linha Negra das penitências.
O alvo do meu sofrimento será atingido pela rombuda seta da fraqueza interior – construído que fora por minha alma dissoluta...
...e pelo total desrespeito ao meu corpo!"
-
2010, setembro 18 - Minha pintura acrílica "Florista" foi exibida no blog "hana-haruko", haikai de Haruko:
"O sol beija as níveas
florezinhas encantadas:
noivas, primavera." -
2010, setembro 18 - Minha pintura acrílica "Florista" foi exibida no blog "hana-haruko", ilustrando poema de Clevane Pessoa:
"Encantada e inquieta com o mistério e as promessas das sementes,
Haruko , que traz no nome o milagre da floração,
planta, depois de revolver a terra marrom
e adubá-la diariamente de forma orgânica,
com cascas e raspas,
um punhado delas,um presente,
do que não conhecia a origem.
Revê ao sol, a meninota estender a mãozinha gorducha:
_Toma Haruko, é para plantar...
E ela o fez.
Seu suor, em pérolas líquidas, também caía ao solo
quando trabalhava
as inchadas sementinhas e seus embriões, prestes a brotar.
E uma vez chorava enquanto cantava
-pois não é que beberam tudo que ela externava com o coração ferido
por alguém que tinha partido?
E a magia da germi/Ação continuava:
tegumento, endosperma, óleo, amido, proteínas.
Brotos brotaram em direção à luz.
Uma festa de verdes.
E agora, entra setembro e o ciclo se inicia:
níveas flores se abrem, todas juntas,em celebração irmanada.,
Haruko tem agora, completamente encantada
-e encantadora- sua primavera particular!"
-
2010, setembro 20 - Minha gravura digital erótica "Trio de amantes" foi exibida no blog "Maracujá com açúcar", ilustrando a poesia "Pica-flor" de Gregório de Matos, postado por Nina Sampaio.
"A uma freira que satirizando a delgada
fisionomia do poeta lhe chamou "Pica-Flor".
Se Pica-Flor me chamais,
Pica-Flor aceito ser,
Mas resta agora saber,
Se no nome que me dais,
Metei a a flor que guardais
No passarinho melhor!
Se me dais este favor,
Sendo só de mim o Pica,
E o mais vosso, claro fica,
Que fico então Pica-Flor." -
2010, julho 06 - O poeta Freddy Diblu fez uma releitura da 'Canção do exílio' de Gonçalves Dias.
Toda riqueza provém de violência
'Minha terra tem carteiras,
Onde canta o jabá;
As rapinas que aqui rodeiam,
Não saqueiam como lá.
Nosso ao léu tem mais estrelas,
Nossas praças têm mais atores,
Nosso zé-povo tem mais lida,
Nessa lida mais "mordedores".
Em chiar, sozinho, ao açoite,
Mais quelelê encontro eu lá;
Minha terra tem carteiras,
Onde canta o jabá.
Minha terra tem no 171 "doutores",
Que tais não encontro eu cá;
Em chiar – sozinho, ao açoite –
Mais quelelê encontro eu lá;
Minha terra tem carteiras,
Onde canta o jabá.
Não permita Deus que eu corra,
Sem que me revolte por lá;
Sem que refute os usurpadores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda reviste as carteiras,
Onde canta o jabá.'
-
2010, julho 08 - Minha pintura à óleo 'Orfeu' foi exibida no blog Verso e prosa, ilustrando a poesia 'Anacoluto' de Dom Quixote.
O meu verso adolescente
É pra você
Torto e sonso
Esse meu verso
Que enviesa quando olha
De soslaio
Se apruma
E faz pose de adulto
Esse verso
Adolescente
Que implica com a sua pose
Implica por não saber
Como lidar com você
Como lhe dar esse verso
Me dar assim pra você
De presente
De repente
Ou relance
Esse verso
Adolescente -
2010, julho 05 - Minha gravura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog "Sabedoria", ilustrando a poesia "Mesa de bar", de Rita Rovai Castellan.
"A mesa do bar
Não para de rodar
Não é cachaça, é gente a passar
Poetas e mais poetas
Brincantes da noite
Brincando com a noite
Burburinho
Confusão
Não
Apenas, paixão
No ar, nas palavras, nas faces, nas risadas
Nas calçadas
Na esperança de uma nova estrada
Que me leve para meu novo eu
Por que esse.... já se perdeu."
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2010, junho - Minha pintura digital 'Mergulho' foi exibida no blog Tuda Pap.el el.etrônico, ilustrando a poesia 'Mergulho', de Plínio Aguiar.
'Abaixo da superfície de arrepio da nesga de mar
Que vejo sentado no sofá na sala na manhã
Devem estar peixes, diversas cores, tamanhos,
Formatos diferentes no padrão de nado e guelras,
Escamados e encourados com listras e pintas
Que não eliminam a possibilidade de desejo.
Abaixo da superfície de arranhões da faixa de mar
Que sinto nos olhos parados estariam começo
E fim, vulcões, serpentes e pentes de sereias
Verdes, o próprio enigma de estar o que poderia
Não estar no trocadilho de horas enferrujadas,
dados do polifemo, Ulisses, regressos calados.
Abaixo da superfície de violência de sobra de mar
Que noto entre copas de árvores funciona usina,
Vultos submergindo-se originados de albumina
Mergulhando no verbo pronunciado em encontro
De águas, espuma, sonhos, argila. Guitarras
Emergem surpresas presas à quilha do último beijo.' -
2010, junho 02 - Minha gravura digital 'Casal III' foi exibida no blog Lima Coelho, ilustrando a poesia 'Na moldura do soneto', de autoria de Freddy Diblu.
'Amor é a incompletude do prazer
Fulgor e inquietude de alma acesa
É virtude de dor, amiúde e coesa
Tem a ver com perpetuidade do ser.
Sus! Mas é furor que produz beleza
Que exala assaz o torpor de felicidade
E se conduz a grandeza na efemeridade
– O que mais faz juz por delicadeza!
O Amor cai bem demais em lua nova
Bem com vinosidade em flux de ais
E com afinidade à meia-luz de alcova.
Ademais, vai além de orgasmos plurais:
É bem de entusiasmos originais, que inova.
Amor? Quem o prova não se satisfaz, jamais!'
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2010, maio - O poeta Freddy Diblu escreveu a poesia 'Excêntricos corruptores', irmã gêmea, mas letrada, desta minha 'Favela'.
'Friiia... ssssom-bria... sorrateiramente!
Sois vós
que sorrides espectros satânicos
lacrimejais peçonhos exóticos
Sois vós
que cuspirdes tributos lancinantes
escarrais juros ebola
Sois vós
que arrotardes peculatos macabros
vomitais verdinhas infectas
Sóis vós
que assoviardes militantes
mercenários
espirrais paus-mandados sectários
Sois vós
que mijardes mísseis aterrorizantes
evacuais borras radioativas
Sois
de quem desabrocham bocas-do-lixo
assanham-se déspotas sanguinários
Sois
a quem enfureçam mãos hediondas
atiçam barbáries gangrenáveis
Sois
por quem sentenciam autos-de-fé
alastram cárceres barras-pesadas
Vós!
quando prostituístes a paixão
corrompestes o amor
sequestrastes os sonhos
Vós que sois
A b j e t o s
Parasitas, marotos
vermes nas chagas
Só vós
o mau-olhado atroz
a fedentina dos esgotos.' -
2010, abril 24 - Minha gravura digital 'Moça nua' foi exibida no blog 'Prosa e verso de boteco', ilustrando a poesia 'Nesta rua', de Zenaide Negrão.
'Nesta rua...
Num tempo primeiro
de primeiros passos
passo a vida em coloridos
ladrilhos de pedrinhas de brilhantes.
Num segundo momento
o tempo do sofrer se faz presente
e a vida se torna cimentada
e junto aos brilhantes
brotam espinhos.
Num último momento do meu tempo
os brilhantes, o sofrer e os espinhos
estão todos reunidos
numa ínica rua
num único bosque
numa única vida
num único coração.
Lá
Solidão...'
-
2010, abril 05 - Minha gravura digital 'Procurando na escuridão' foi exibida no blog Caos ordenado, ilustrando o ensaio 'Meia-noite', postado por Martín Langou.
'os inimigos, quando atacam, parecem unir-se no ataque / aparecem todos juntos, de surpresa, ao cair da noite / querendo me pegar no contra-pé / testes de firmeza para uma prática forçada e, quiçá, maltratada / quando a luz se vai, fica sua ausência, oportuna quando vista como uma passagem / vamos, cavaleiro, que a luta é grande e a vitória só é possível sobre si mesmo / 'um leão por dia', berra a espada, sedenta por mais sangue que se transforma em suor da libertação... de si / instigado para mais luta, relutante quanto à própria força e a brecha no alto do cume do túnel que, por um simples raio de intuição, mostra a aurora já tão próxima / Ao amanhecer, tudo estará limpo e serei, novamente, eu e Eu, apenas.' -
2010, março 20 - Minha gravura digital 'Ninfa' foi exibida no blog O imaginário, ilustrando a poesia 'Soneto para o Dia Mundial da Poesia', de autoria de Márcia Sanchez Luz.
'Vem pra cá, minha Poesia!
Diz o que devo fazer
durante estas noites frias,
quando é difícil viver!
Traz de volta o som que havia
nas notas do alvorecer,
nos semitons de outros dias
que me faziam vencer
manhãs de rondas infindas
(entre emoções e razões)
dentro de meu existir.
E assim o dia que brindas
será de intensas paixões
num corpo inteiro a sorrir.'
-
2010, março 12 - Minha pintura acrílica 'Leda e o cisne' foi publicada no blog 'Recanto das Letras', ilustrando a poesia 'Ritos de passagem', de Jorge Luis da Silva Alves (fragmento)
'Agora batizada no fogo das vontades, Valéria abriu-se, farfalhante, para o céu sem lume, exigindo na soberania dos seus novos desejos:
"Vem, que eu quero você."
Principesco, real, o cisne deslizou nas águas escuras da incerteza futura, abarcando Valéria para a gloriosa viagem das revelações.' -
2010, janeiro 26 - Minha pintura digital 'Casal' foi exibida no blog Graça Graúna, ilustrando a poesia 'Quase um alento', de Graça Graúna.
'Sonho, acordo e enloucresço.
Penso: a vida seria desolada
se não houvesse canções de amor.
Não digo, só penso:
você é quase o meu alento
ou quase tudo que eu quero.
Vamos seguir a canção
e deixar acontecer.
"Pra quê rimar amor e dor?"
Você é quase meu alento
Vamos deixar o nosso nome na porta
e seguir a canção.'
-
2010, janeiro 02 - A gravura digital 'Mesa de bar' foi exibida no blog Prosas da Amazônia XXI, ilustrando a poesia 'Amigo meu', de autoria de David Carneiro.
'Sei que tu erraste e erraste feio amigo meu
E que, como um menino, vais pedir perdão
Como entre prantos segues para tua amada
Que te diz agora em desengano
Preferir a tudo a solidão
Amigo meu qual foi teu crime?
Artigo 115: Apaixonar-se por outro alguém
Não te renego e nem te julgo
Pois eu te confesso mau adulto
Já sofri de amor também
Agora sei que te reviras na tua cama
E que um nome chama quando não crê
Que tu fizeste por uma lira
Enfeitiçado por uma gira
Teu grande amor tanto sofrer
E eu que te olho e nada falo
Fico calado, sentindo a dor do teu penar
Que hoje anda errado e anda errante
Na busca ingrata e incessante
De um tão distante perdoar
E este mundo que agora tanto fala
Que só te julga e te condena por traição
Não carrega metade do amor que arde
Calado e doído
Dentro do teu coração.' -
2010, março 24 - Minha gravura 'Casal' foi exibida no blog Notícias do Sertão, ilustrando o post 'Poema 'Quase um alento'', de autoria de Graça Graúna e postado por Simone Cabral.
Sonho, acordo e enloucresço.
Penso: a vida seria desolada
se não houvesse canções de amor.
Não digo, só penso:
você é quase o meu alento
ou quase tudo que eu quero
Vamos deixar o nosso nome na porta
viver o momento
e seguir a canção.
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2009
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2009. novembro 10 - Minha gravura decorativa digital "Vaso com flores" foi exibida no blog Recanto das letras, ilustrando a poesia "O SUICíDIO (para minha amiga N...)", de autoria de Maria Martha:
Vaso com flores
"Sobre seu corpo brotarão flores que minhocas deixarão viver.
Lamento, amiga.
Vá com Deus." -
2009, novembro 05 - Minha gravura digital "Moça nua" foi exibida no blog "Partos de Pandora", ilustrando a poesia "Adormece", de autoria de Violeta Teixeira.
"Adormece! A morte abre a porta. Deixa-a entrar!
Sentar-se-á. Olhar-te-á. Que importa! Dormes.
Dormes. Serena, como a boneca de porcelana,
Despenteada. Pernas quebradas, mas a abraças,
E sonhas a criança. Essa mesma! Abraça-a!
A morte, tenta acordar-te. Atropós prepara-se
Para cortar a trama tecida. Dorme! O corte é doce.
Acordarás outra. Orquídea roxa. Pedra granítica.
Música nas veias de fontes, antes, secas. Dorme!
Abraça a boneca de porcelana! Essa mesma!
A da criança! A sepultada, no poema. Eterna!"
-
2009, novembro 01 - A gravura digital "Menino" foi exibida no blog "Partos de Pandora", ilustrando a poesia "O que é o ser?", de autoria de Violeta Teixeira.
"Sentada. Descalça. Mergulho as pernas, nas levadas
Das regas de morangueiros e de mangueiras,
Cuja terra seca suplica chuva. Subitamente, uma pergunta
Se insinua, dorida, nos corredores escuros, da sua mente,
Olho para as nuvens despenteadas pelo vento, com gestos
Ternos, em busca de uma fuga. Mas a pergunta penetra-me
Nas veias, inunda-me, transborda, quebra os diques
Indefesos da garota. As pernas, essas, navegam nas águas,
Aparentemente, ingénuas, como barcas seguras do rumo
Traçado. Olho, de novo, para o céu cinzento. Desaba-me
Sobre os ombros, pesado, inclemente. Que sei eu do Universo?
Porque me estou na Terra? Quem me deu o Ser? Se me sou?
Tremem-me as pernas. Indefesa, os meus dedos lavram
Lamas, arrancam ervas, mas torturam-me as trevas
Do conhecimento. Por que me estou no ali? Donde vim?
Resposta alguma que me satisfaça! Aprendera, cedo,
Que não havia deus algum. Que, na natureza, nada se criava,
Nada se perdia, mas tudo se transformava. Logo era um bicho
Da terra. Logo, a ela voltaria, como os pássaros que amava,
E nunca destruía os seus ninhos, porque se eternizavam
Nos filhos. Sim! Já havia aprendido, precocemente, é certo,
Mas tudo me fora dito, sem eufemismos, sem um gesto de afecto.
As águas das regas continuam. As pernas? As pernas? Da garota
Rebelde? Permanecem mergulhadas nas águas frias, mesmo no agora
Do escrevo. Anoitece! Agradeço as raízes do legado paterno,
Embora, tenham sido plantadas, no solo inocente da criança, que
Deixou , cedo, de o ser, se alguma vez o foi. Apago o olhar desse
Tempo? Como o fazer? Sempre aceso, como o cigarro que fumo,
O vinho que bebo, para anestesiar o cio, as palavras que teço.
Como amortalhar a madrugada? Embriago-me! Drogo-me.
«Cada um tem o seu ópio». Aperto as pálpebras. Cego-me?" -
2009, outubro 31 - Minha escultura em resina "Amantes" foi exibida no site Recanto das letras, ilustrando a poesia "Tu e eu" de autoria de Helena Luna.
"Todo dia em nós mesmos nos perdemos
em momentos de amor - pura paixão.
é por ele, pelo amor, que nós vivemos,
bate sempre forte, firme, o coração.
Nada há que se compare à emoção.
São instantes, para mim, doces,
supremos.
Todo dia em nós mesmos nos perdemos
em momentos de amor - pura paixão.
Abraçados no meu leito amanhecemos,
corpos juntos, meus seios em tua mão,
como fossem delicados crisantemos
a vibrar em colorida floração.
Todo dia em nós mesmos nos perdemos."
-
2009, setembro 16 - Minha gravura digital "A almofada vermelha" foi exibida no blog Ela nua é linda", ilustrando diversas poesias. Editor e poeta Luiz Alberto Machado.
ASTROLÁBIO
Tua língua, hábil instrumento...
Usa-a com precisão
Mapeando os astros, presentes na imensidão do céu do meu desejo
Descobre no recôndito do meu corpo galáxias a serem exploradas
Astros que lampejam luz, excitantes faíscam...
P.a.c.i.e.n.t.e.m.e.n.t.e explora...
Entro em um voraz desvario que me consome... E assim...
Todos os novos astros que descobre têm apenas um nome: ‘Prazer’ -
2009, setembro 15 - A poeta Clevane Pessoa escreveu a poesia "Alegoria para Angelina".
"Angel de quatro braçosver a poesia na íntegra 2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada 'Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele'. As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, 'Burquinha', 'Parada de ônibus' e 'Angelina se mutila'.
Mina energia entre traços,
Traça grafismos no ar.
Começo da era, Eva primeva,
todo final é recomeço,
ciclos espiralados,
arcos de cores nos céus,
círculos concêntricos na água
onde bate a pedra da lua
ao olhar do arremessador."
-
2009, agosto 29 - A gravura digital "Colhendo laranjas" foi exibida no Blog da Professora, ilustrando a poesia "Laranja rosada", de autoria de Luciana Carreiro Fernandes.
"Laranjas são como crianças.
Estão em quase todo o lugar.
Laranjas são lindas.
Redondas.
Cor-de-laranja.
Lembra do sol.
Quente. Que brilha intenso. Radiante.
Como o sorriso e os olhos da criança.
Laranja ativa o humor.
Dá energia.
Trás alegria.
Todo mundo gosta de suco de laranja!
Laranjas são ricas em vitamina C.
Uma vitamina que reforça nosso organismo.
Precisamos dessa vitamina,
Assim como eu preciso de crianças…
Então arranja as laranjas.
Pode chupar ou fazer suco.
Coloca na receita do bolo.
Fazer bom uso para que a criança seja:
Cor-de-laranja rosada.
E não falte nas aulas.
Trazendo alegria e saúde.
Como a laranja me trás." -
2009, agosto 12 - A pintura digital "Poeta meditando" foi exibida no blog "Partos de Pandora", ilustrando a poesia "é este o meu ofício", de autoria de Violeta Teixeira.
"é este o meu ofício. O grito. O grito do bicho
Da terra. Do corpo da terra, peregrino, sem fé,
Ao rés do vazio, morto de frio, a espera
De um signo, que frutifique nos espinhos.
Espera ilúcida e única do caminho que ilumine
O silência, súbito, vinho, para a embriaguez
Das palavras da vida e da morte. A brasa rubra
De uma pedra coze-me o pão do poema.
é este o meu ofício. O grito faminto
Do corpo da terra. Do bicho da terra. Grito!
Invoco, com avidez, a voz que tarda a ser voz,
Que tarda a ser tear. Trêmula e indevisa, início
O tecer do tempo voraz, mas este tudo faz
Para abafar a nudez do grito. Pudor absurdo, Porque,
sempre está a escuta o leitor, sabendo,
Sem o dizer que, talvez o grito sufocado
Dê à luz, numa obscura e pura madrugada,
Um cântico ferido, mas tecido de amor,
O mesmo será dizer o lugar branco da morte."
-
2009, julho 29 - A pintura à óleo "Mergulho" foi exibida no blog Noturno citadino, ilustrando a poesia "Pular de um quinto andar?", de autoria de Giuliano Quase.
"não seja ridículo.
olhe lá embaixo.
quantos metros cê acha que tem daqui lá?
é bem capaz mesmo. é muito pouco, não vê?
desta altura, cara, o máximo que vai te acontecer é quebrar uma perna. ou as duas. pode ser que o femur se esmigalhe uma costela fure o pulmão o joelho salte da parada e fratura exposta aquela sanguerada toda e você lá agonizando eu aqu'incima desesperado pronto morreu...
quem sou eu pra te dizer, cara,
o que pode e o que não pode se só tentando?
mas de ponta cabeça.
assim de coco no chão:
toc
pode que pode ser:
e bau bau." -
2009, junho 07 - A pintura digital "Cristal" foi exibida no blog "Noturno citadino", ilustrando o poema "valor e cultura", de Giuliano.
"O copo de cristal por si não é belo.
Pode ser um objeto.
Talvez sua beleza esteja na moldura do contexto."
-
2009, maio 31 - A pintura digital "Colhendo laranjas" foi exibida no blog "Intertextualidades.'Estou vivo e escrevo sol'", ilustrando a poesia "Laranjas de maio", de Luís Filipe Pereira.
"Amanhã
Quando vier o vento
Deslizar na ave de água
Adstrita à madrugada
Seguirei o som das laranjas
Sob o sol macio de maio
Amanhã
Quando cair a janela
Como folha desfeita
Na foz dos dedos
Encontrarei nas ervas
Uma jangada de verdura
Afagando-me os joelhos
Ficarei com os fios dos jardins
Amá-los-ei no poema com os periféricos
Pulmões dos nomes
Dóceis de árvores
Amanhã
Entre os gomos do mar
Cerca dos corais das laranjas lentas
E os polegares
Que inclinados no ígneo vento da voz
Irão percutir
Pingo a pingo
O bando de águas
Que virá beber
Nas cascas vazias
Dos meus bolsos" -
2009, maio 01 - A pintura à óleo 'Jovem anarquista' foi exibida no blog Que mundo doido, ilustrando a poesia 'Anarquista (?!)', de autoria de Sidney Crivelari. Fragmento:
'Rebelde,
Radical,
Excomungado,
Anarquista
Se lutar pela justiça,
Contra o abuso do poder comprado,
Este poder infame,
Retalhado de mentiras.
Se lutar pelos nossos direitos
É ser anarquista,
Então Mamãe,
Seu filho é um anarquista (?!)'
-
2009, maio 01 - A pintura à óleo "Sinuca" foi exibida no blog Bar do Bardo, ilustrando três poemas, "Três cenários suburbanos", de autoria de Henrique Pimenta.
"Bolero misturado com samba
"O cara vai à zona de pijama.
A linda se apaixona pelo cara.
Os dois, pois, se aconchegam numa cama
e, após, pois, se chamegam numa tara
de gosto duvidoso. O par se gama,
repete o ritual, ele não para,
deseja que deseja e faz a fama.
é a lenda da menina que dispara
da vida de puteiro suburbano,
sem máculas, no amor purificado,
por Nossa Senhorinha da Assunção.
é a lenda do senhor que é ser humano,
que acolhe sua escolha sem passado,
nas bocas da Favela Coração." - 2009, abril 15 - A pintura à óleo "ícaro" foi exibida no blog O silêncio dos versos, ilustrando o poema "La cena", de Manuel Díaz Martinez, postado por Lilina Jasmin.
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2009, março 26 - A pintura acrílica "Semeador" foi exibida no blog Tatuagem, ilustrando o poema "Ao meio dia, inteira" da poeta Carmen Fossari.
"O outono espiou sobre teu ombro esquerdo
E os sol já mais ameno
Tentou adentrar em raios na casa casca do caracol,
Dentre todos, o único que atingira estar
Ao topo do muro, entre o portão
E a parede alta
Aos outros, no muro aos musgos ressecados,
Trouxera o vendaval de chuva a umidade
E entre o lamaçal e a poça d´água a procissão de lesmas
Nem tão lerdas, nem tão certas
Caracoleando ao muro um mostruário
De incrustados estarem,nada mais vivaz
Que ali estarem ( antenas recolhidas).
Apenas ao topo no sol inesperado
Era de incomodo, a deixar a casa toda transparente
Do caracol ao cachecol em teu pescoço
Avisto ao ombro esquerdo o filete de sol
Ensolarado, meio zonzo sem saber onde adentrar
Se na casa sob o muro em caracol,
Se ao cachecol macio em seda que te envolve
Ao dilema do sol , sorrio eu
Pouso meu estar
não em muros
Se de pedras ou de ventos
Nem de caracóis em procissões
Nem ao filete do sol
Ensolarando este jardim
Que entre o muro e o jardim
Colhem meus olhos tu
Que do amor plantas
Os mistérios ,docemente
Como a portão aberto para a vida." -
2009, março 14 - A pintura à óleo "Carregadores" foi exibida no blog "Poética e cotidiana", ilustrando poema de Bertold Brecht, "Perguntas de um operário letrado". Fragmento:
"Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilónia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sózinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas."
-
2009, março 11 - Foi exibida no blog Ciranda do esquecimento, ilustrando o poema "Licantropia", da poeta Laurene Veras.
"Rasga
a pele
que te engasga
Sibila
e troca de casca
Arrebenta pontos
abre cicatrizes
Puxa os fios soltos
arde em magentas
rejeita os matizes
Sê fera
medra no inadiável
e mira
o espelho inquebrantável
de ti." -
2009, março 09 - A pintura acrílica "Espaço interior" foi exibida no blog Lendo poemas, ilustrando o poema "Espaço lírico" do poeta Cassiano Ricardo, editada/postada por Jefferson Bessa.Não amo o espaço que o meu corpo ocupa
Num jardim público, num estribo de bonde.
Mas o espaço que mora em mim, luz interior.
Um espaço que é meu como uma flor
Que me nasceu por dentro, entre paredes.
Nutrido à custa de secretas sedes.
Que é a forma? Não o simples adorno.
Não o corpo habitando o espaço, mas o espaço
Dentro do meu perfil, do meu contorno.
Que haja em mim um chão vivo em cada passo
(mesmo nas horas mais obscuras) para
Que eu possa amar a todas as criaturas.
Morte: retorno ao incriado. Espaço:
Virgindade do tempo em campo verde.
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2009, março 06 - A pintura acrílica 'Lavadeiras' foi exibida no blog Blog da Laura, ilustrando poema de Pedro Bloch. Postado por Laura Peixoto.
"Nossa jaula
somos nós mesmos,
que vivemos
polindo as grades
em vez
de libertar-nos." -
2009, março - A escultura "Monumento ao trabalhador rural" foi homenageada em poema por Freddy Diblu, através da poesia "Um causo campesinho". Fragmento:
Monumento ao trabalhador rural
"Quer Zé Negrim ave-marias(ver a íntegra da poesia)
Um alvorecer todo de pipiras
Retrato dele à vela de sete dias
A meninada de olhar assuntado
Violas dedilhadas no trato caipiras"
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2009, fevereiro 07 - Foi exibida no blog Longitudes, ilustrando o poema "Dê corda", da poeta Nydia Bonetti.
"Dê muita corda
Deixe seu sonho voar
Ele tem pressa
Ele não pode esperar
Morre de esperar demais." -
2009, janeiro 02 - A pintura à óleo 'Anjo caído' foi exibida no blog Clevane_em_Pessoa, ilustrando o poema 'Anjo caído' de autoria de Clevane Pessoa, em diálogo criativo. Fragmento:
'abrir a boca de espanto,
cair das própria altura, em pleno vôo de reconhecimento,
e sentar-se desanimado, cansado de lutar
por uma humanidade falida e inconstante...'
2009, janeiro 03 - A pintura e o poema foram republicados no blog Mhário Lincoln do Brasil.
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2008
- 2008, dezembro 06 - A pintura mista "Lavadeiras" foi exibida no blog Lavando calcinhas, ilustrando o post "Lavadeiras", poema de Anabel Andrés. Postado por Lia.
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2008, dezembro 04 - Foi exibida no blog Cativa do Deserto, ilustrando o poema "Conversa póstuma", de autoria de Miguel do Rosário. Publicados por Camilla Lopes. Fragmento:
"de que adianta morrer
se deixas teu cheiro
e contas não pagas
em hotéis baratos
da praça tiradentes?" [...]
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2008, novembro 21 - Foi exibida no blog Viva a poesia, ilustrando o poema "Epitáfio para la tumba de um poeta", de José Hierro, editada pelo poeta e professor Sílvio Persivo.
"Toquei a criação com a minha testa.
Senti a criação com a minha alma.
As ondas me chamaram para o fundo.
E logo as águas se fecharam." -
2008, novembro 18 - Foi exibida no blog Coluna Cultural Telescópio, do poeta e editor Every Carrara, ilustrando o poema "Verbo de Ligação" de Neida Rocha:
"A vida é vaga.
A morte é certa.
O Sol é seu.
O medo é meu.
O ninho é nosso.
A noite é longa.
A morte é certa.
A vida é breve."
- 2008, novembro 18 - Foi exibida no Blog do Mikael, ilustrando o poema "Os acrobatas" de Vinícius de Moraes.
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2008, outubro 21 - Foi exibida no blog Recanto das Letras, ilustrando o poema "Camarim", de autoria da poetisa Miriam Dutra:
"Encantam-me luzes
e neons futuristas
de um camarim.
Colo na face a máscara rosada,
arte do make-up-folhetim.
Desastre....
Nenhuma fantasia ficou bem em mim...."
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2008. outubro 10 - Foi exibida no blog Versos e Perversos, ilustrando o poema "Cremado", de Luciano Fraga.
"Do alto da minha soberbia
sou cinzas
sem jardins,
sem mares ou ventos,
sozinho,
rio de mim sem rodeios
em meus pensamentos,
assim
como poderei me espalhar?" - 2008, setembro 26 - A pintura digital "Mesa de bar" foi exibida no blog Bar do Escritor, do poeta e editor Giovani Iemini
-
2008, setembro 14 - Minha pintura à óleo 'Amantes' foi exibida no site 'Overmundo', ilustrando a poesia 'Credo', de autoria de Saavedra Valentim.
'Acreditei em seu amor
Feri-me profundamente.
A lâmina de sua traição
Perfurou órgão vital da minha morte!
Fratura exposta de um coração dilacerado,
Peito aberto, alma fechada.
Encarcerado, ainda,
Talvez sempre o seja,
Sentença de um tribunal tendencioso,
Que o vitimado condena!
Mortalmente ferido,
Amor ainda exala,
Esse coração desavergonhado,
Mesmo esnobado, pisoteado.
Mar de lágrimas rubras
Manchou minh’alma límpida,
Jorrou-me fervente na face,
Abriu ferida, dor imensa.
Restou profunda cicatriz,
Certificado de desilusões vividas,
Vida mortificada em vida.
Abduzida a outros sonhos,
A outros amores, desamores.
Rosa escarlate, pétalas macias,
Cujo néctar oferece barato
A qualquer zangão, sedento.
Doçura outrora,
Fel agora,
Veneno amanhã!
Tento livrar-me das amarras,
Mas suas garras cravam-me,
Como uma águia voraz,
E conduz-me ao alto,
Ao etéreo, ao divino,
Em seu ninho dividido.
Sem piedade conduz-me
Ao espaço sem destino.
Resgata-me do passado,
Aprisiona-me no eterno,
Tortura-me no presente.
Com futuro incerto,
Com uma única certeza:
Eu, simples mortal,
A mendigar uma gota desse néctar,
Que provoca delícias aos "Deuses",
Em troca, oferendas de puro ouro,
Contraste ao meu pobre amor pobre,
Com certeza, opaco aos seus olhos,
Visto ser metal barato, que não reluz.' -
2008, setembro 04 - Foi exibida no blog HF diante do espelho, ilustrando o poema "Cascata", da poetisa Hercília Fernandes.
'Há um travo na garganta
e um travão nos olhos.
Um metro de lâmina
e uma granula de ópio.
Há uma palavra não-dita
e um silêncio gritante.
Uma ponte escondida
e um chinelo azul verdejante.
Há uma roda viva
e um mar morto
Uma verdade esculpida
e um cavalo solto.
Há coisas para serem ditas
umas - outras – melhoradas...
Uma lágrima fingida
um riacho cheio d'alma:
sebo
nervo
alheio
em cascata.'
-
2008, setembro 03 - Foi exibida no blog "Transversal do tempo", da poetisa Renata Maria, ilustrando o poema "Ficção":
"Tentei ser triste num país sem nome.
Voltei de lá sem saber o que é saudade.
Fui para minha terra onde sorri é invenção.
E o poeta de lá sou eu sim, senhor." - 2008, agosto 31 - Foram exibidos o poema e a pintura no blog Enfim! é o que tem pra hoje, do filósofo e editor Paulo Braccini.
-
2008, julho 22 - Exibida no blog Tatuagem, da poeta Carmen Fossari, onde ilustrou a poesia "Ilha feminina". Fragmento:
"O mundo feminino
Abre-se de úteros
Como as folhas em pétalas
Que amanhecem
Jardins, mundos, infâncias, flores
O universo adulto do corpo amoroso
Comportando outro corpo
Da luz lasciva de todos os tatos
Os sentidos, a intuição
O homem barro macerado
Que habita seu mundo
De dança e música
O feminino,nossa identidade
carregamos na hitória
Tantas estórias de dores
Que um ser, por qualidade
De gênero amalgamou
Nas paredes do mundo
Nãos imperativos,
Revelações semanticas
do femina
A fome
A dor
A pobreza
A miséria
A intolerância
A guerra
Mas o tecido involucrável
Descobrindo em nudez
A palavra mulher
Tece em desejos
A paz
A alegria
A fartura
A riqueza
A tolerância
A criação
Aos mapas ortográficos
As veias onde pulsam
O ser feminino, Mulher
O masculino ser, Homem
Indcam a geografia
De país algum
Que não o construído
De ventos e sonhos
De vísceras e suores
De esperanças e lágrimas
Ao fogo que acende
As almas, quando anoitece
O corpo abrirá seus braços
Aos abraços
Femininamente amorosos
Ao masculino homem
Tão frágil quanto a fragilidade
que enunciou da mulher
pelos confins dos tempos." -
2008, julho 17 - Foi exibida no blog Achamarte, da poetisa e editora Clevane Pessoa de Araújo, ilustrando o poema "Burquinha":
"Bom o tempo-que-rola
nas bolinhas-de mundo-miniatura.
Cada bola-de-gude parece uma planeta,
uma beleza de olhar.
Longe uma voz chama:
-"Menino, venha já para casa"...
O susto aponta o tempo-que passou
num instante, como-é-que-pode?
Meninos debandam.
Uns, transidos de medo, sabem que vão apanhar.
Mas amanhã...ah, o mundo encantado
recomeça..."
2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada 'Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele'. As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, 'Burquinha', 'Parada de ônibus' e 'Angelina se mutila'.
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2008, julho 17 - Foi exibida no blog Achamarte, da poetisa e editora Clevane Pessoa de Araújo, ilustrando o poema "Parada de ônibus":
"A idade se repete nas filas
dos ônibus.
A ansiedade, a agonia, o medo do atraso,
a vontade de chegar em casa,
a necessidade de fugir,
o passeio esperado,
o desejo de abraçar os bem-amados,
tudo é somado, pedaços de conversa,
celulares e retalhos de assuntos,
expostos quais frutas em banca de feira.
nenhum pudor em xingar, reclamar, se desculpar:
cada um tem sua musiquinha, uns jogam ,
outras consultam recados...
E o tempo urge, ruge,, a turma/turba reage,
um coletivo passou sem parar.
"é porque não pago mais passagem", treme o idoso
ao desabafar.
Alguém tem cólicas, uma das mulheres se encolhe,
cai ao chão e começa a dar à luz.
Um trombadinha aproveita a confusão
e bate a carteira de alguém.
Fulaninho nasce ali mesmo:
um dia ele também estará numa fila, esperando
ônibus.
Na parada em movimento.
O dia quer dormir, a noite começa a esperar
também...
E com ela, os trabalhadors da noite, os boêmios e os
insones
a esperar outros ônibus..."
2010, maio 30 - A poeta Clevane Pessoa republicou esta poesia no site da Unión Hispanoamericana de Escritores, em uma coletânea intitulada 'Quando poetizo pinturas de João Werner - alguns poemas meus e obra dele'. As poesias foram criadas a partir de 3 de minhas gravuras, 'Burquinha', 'Parada de ônibus' e 'Angelina se mutila'. -
2008, julho 09 - A pintura digital "Salto" ilustrou o blog ULTIMAGOTAD, texto da artista radassi. Fragmento:
"Tudo mesmo tem um por que?
Tudo pode acontecer?
As coisas acontecem por acaso?
Ou porque está escrito?
E o descaso vem ao acaso?
Enfrentar vale mesmo apena?
Saber o que vai acontecer é bom?
Ou não saber e ´´seja o que Deus quizer´´é melhor?
Aventura ou desventura?
Apropiar ou aprovar?
Criticar é ajudar?
E se agravar a situação?
Ausencia ou presença?
E o tempo?
RESPONDE?"
-
2008, junho 01 - Imagem publicada na Revista Eletrônica Conexão Maringá, ilustrando o poema "Modo de amar" da poetisa Astrid Cabral. Trecho do poema:
"Amor com tremor de terra
abalando montanhas e minérios
nas entranhas da minha carne.
Amor como relâmpago e sóis
inaugurando auroras
ou ateando faíscas e incêndios
nas trevas da minha noite.
Amor como açudes sangrando
ou caudais e tempestades
despencando dilúvios.
E não me falem de ruínas
nem de cinzas, nem de lama. " -
2008, junho 01 - Imagem publicada na Revista Eletrônica Conexão Maringá, ilustrando o poema "Redentoras", do poeta Erorci Santana. Trecho do poema:
"Sejam as mulheres como as rosas
ou como as aquarelas,
quando estão conosco, quando não,
quando vibram, quando alegram,
quando doem, quando vêm e quando vão,
quando sobem as ladeiras,
quando descem passarelas.
Tragam com elas os incorruptíveis
sinais da beleza, ainda que se saiba
impossível sua erupção
fora da alma feminina, do corpo da mulher,
esse vulcão que trabalha nosso desatino,
faz a nossa inelutável rendição.
Ainda que se pense em mar, em céu,
no incrível arco multicor, no ar
que impregna a flora e balança
os frutos verdes após a chuva.
E até no rodopio do ciclone,
que louva Deus bailando
sua aterradora e tresloucada dança,
nas noites austrais, nas auroras boreais,
numa explosão de luzes no setentrião.
Nada disso ou tudo isso sequer
supera uma lembrança de mulher.
Fora de seu riso e de seu colo,
não há razão de ser, nem como florescer
a magia, a poesia, o êxtase, a canção.
Chame-se então deslumbramento
a essa compulsória devoção.
E nesse diapasão lírico,
celebro as que se foram,
cuja ausência confrange o coração,
as que esperam e acenam da janela, aquelas
que virão mitigar a dor de existir,
reinventar a fúria sagrada do amor.
As que passam majestáticas
e a gente acompanha com o olhar refém.
Aquelas que apesar de entusiasmo e de desvelo
só nos dão o seu desdém.
As que não são vilãs, nem heroínas,
nem escravas, nem rainhas, nem fundamentais;
algo mais que a sina feminina
ou a maioridade que a elas se negou.
Não se diga “é bela esta mulher”
porém bonita sua própria condição.
Surpreendam sempre como o plenilúnio,
o arco-íris, o solstício de verão,
Não falte nesse comovido poema
uma voz aveludada, uma mecha de cabelo,
os opulentos seios das hollywoodianas,
as pernas de garça das nordestinas,
a imensa tristeza das chinesas de pés pequenos.
Dê-se às mulheres o leme do mundo, deixem-nas
recuperar o sentido perdido da ternura,
apontar um outro rumo, à margem
da brutalidade, da carnificina masculina,
uma trégua para repensar se vale a pena
parir e amamentar mísseis e canhões.
Dê-se a elas o sonho do homem e grande
e do menino; dê-se às mulheres-mães o direito
de intervir no conselho de guerra das nações,
o direito de escolha além da irracionalidade viril
e da imbecil mutilação dos homens tolos.
Que além de toda dor e corrupção
cinja-se o corpo da mulher
ao corpo do poema, e de ambos
não se aparte a beleza suprema.
Vão é vosso esmero, estilistas da confecção!
Esse corpo de mulher, divino e magistral,
só precisa de raio solar, folha de parreira.
Mas dê-se a elas bons frascos de perfume,
batons variegados, provocantes lingeries,
vestidos de organdi.
Dê-se a elas inclusive a ilusão
de que precisam de séquito, vestais,
de algo mais que a generosidade
de suas curvas, que a seda de suas peles.
Deixem-nas pensar que podem superar
a grandeza de sua própria criação.
Sejam bem amadas as amantes,
orquestrados com cuidado seus suspiros
inebriados, os frágeis cristais e os apelos
de sua carne insaciada.
Sejam os rompantes das mal amadas
amparados com carícias em dosséis
e o fogo que elas trazem represado
arda nos flancos, ao galope dos corcéis.
Sejam como as rosas abertas,
cintilantes, despudoradas, acesas
ou como aquelas fechadas,
grávidas de promessas e belezas.
Sejam gráceis, redentoras.
Sejam salvação."
-
2008, abril 11 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog "Orgasmaravalha-me", ilustrando a poesia "bom dia, tristeza".
"bom dia, tristeza!
que tarde, tristeza!
você veio hoje me ver.
já estava ficando até meio triste
de estar tanto tempo longe de você.
se chegue, tristeza!
se sente comigo
aqui nessa mesa de bar,
beba do meu copo,
me dê o seu ombro
que é pra eu chorar:
chorar de tristeza,
tristeza de amar." -
2008, março 31 - Poeta: Manuel Bocage, Poema: "Epitáfio para um sátiro", Blog: Pirulin lulin lulin, postado por Laurene Veras
"Lá quando em mim perder a humanidade
Mais um daqueles, que não fazem falta,
Verbi-gratia — o teólogo, o peralta,
Algum duque, ou marquês, ou conde, ou frade:
Não quero funeral comunidade,
Que engrole "sub-venites" em voz alta;
Pingados gatarrões, gente de malta,
Eu também vos dispenso a caridade:
Mas quando ferrugenta enxada idosa
Sepulcro me cavar em ermo outeiro,
Lavre-me este epitáfio mão piedosa:
"Aqui dorme Bocage, o putanheiro;
Passou vida folgada, e milagrosa;
Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro".
-
2008, março - Foi exibida na Revista Eletrônica Conexão Maringá, ilustrando poema "Recusa poética", do poeta: Ricardo Mainieri.
"A poesia foi recusada
quando buscava emprego.
Simplesmente queria mostrar-se
aos olhos sensíveis
sem remuneração nem aplausos.
Precisava ela adereços
escrita automática
provocar o estranhamento
nas entranhas dos leitores?
Ser pós, neo-barroca, intertextual?
Não poderia ser simples
refletir a sina diária
na voz do homem sufocado
pela cidade & suas seqüelas.
Não há vagas dizia Gullar
apenas feiticeiros da linguagem
e suas pirotecnias..." -
2008, fevereiro 27 - Foi exibido no site Recanto das letras, ilustrando o poema "Forró na fazenda", da poetisa Sônia Maria Cidreira de Farias. Fragmento:
"O forró lá na fazenda
vai até as altas horas
Invadindo a moenda
Sacudindo as senhoras!
Até o galo vem dançar
co'a galinha carijó
Esta a cacarejar...
dá um nó em seu gogó!
A égua e o cavalo
gostam de se esfregar
E no meio do embalo
já começam a namorar!
....
Se você quer ser feliz
seja simples por favor
Ouve a vida que lhe diz...
"Só cultive o amor"!"
-
2008, fevereiro 05 - Poetisa: Casti, Blog: Teia de palavras.
"O jogo na mesa
Um taco
Noite inteira
Conduzindo aspirações
Para a caçapa
Vontade numa tacada
Certeira
Matreira
Firmar a ponteira
Desce uma talagada
Da pinga de primeira
Ponto final..." -
2008, fevereiro - Esta pintura foi exibida na revista eletrônica Conexão Maringá, ilustrando a poesia "O Corpo Restituído", de Américo Teixeira Moreira.
"E ninguém saberá onde toco
quando os meus dedos súbitos
cantam no meio de uma aranha
ameaçada, a receber a feliz oferta
de um exercício silencioso.
Serás consumida como uma fértil
rosa encrespada sobre as minhas nádegas
entorpecidamente duras e o tépido
contorno das tuas coxas projectadas
de encontro ao instinto selvagem
que assim morre vivo
deliciosamente exausto como uma
pétala delicada no recolhimento
das pálpebras ensonadas.
Tudo, meu amor, está nas nossas mãos:
esta harpa tranquila e delicada
estranhamente desnudada pelo êxtase dos dedos
em busca de uma laranja posicionada
para ser repartida nos
seus gomos sumarentos de fantasia.
Vacilante e mordente cais dissipada como
se fosses um estalido,
um sopro adormecido pela minha baba
opiária. Então amorosamente beijo
o teu sexo desvairado na simbologia
da passagem do sagrado para o profano
de uma identidade, de um novo caminho.
Assim renascidos da vertigem dessacralizada
seremos a transumância dos amantes primitivos. "
-
2008, janeiro 19 - Poetisa: Casti, Blog: Teia de palavras.
"Os carros passam lentamente, observando a mercadoria, avaliando e alimentando o desejo... Coxas, seios, bocas à mostra, oferta do "móvel" que tem para todos os gostos taras e fetiches. Negociações e acordos, ela quer o dinheiro, ele quer o resgate do desejo que por algum tempo foi sepultado..." -
2008, janeiro 07 - Poeta: Lipe Du, Blog: Poesia vã.
"O abrigar de uma nuvem...
Céu ensolarado e mais um dia de curtição.
Sem um sundown
Pedimos sombra, pelo amor de deus!
e tentamos tapar-lhe
Sol!
Sugerimos isso e aquilo outro
Bate-boca amigável
Conta-se a novidade de ontem
O noticiado que apenas um viu e se
encarregou de passar...
Antenas!
A louca foi presa,
O ministro fez uma piada infeliz...
Queremos mais e mais,
Ali na esquina mais um copo
e mais música
e um boteco que acaba de abrir serve de refugio aos nossos anseios de fim de semana
Tanta expectativa pra dois únicos dias
Queria é mais"
-
2008, janeiro 04 - Poeta: Carmen Fossari, Blog: Tatuagem, Poema: "Vento", reproduzido aqui apenas um fragmento:
Abstrato
V
Ventania na litania
Impalpável das membranas
úteras que te constroem desde sempre
Argamassa de pesadas dores
Umbilical cordão da humanidade
Que aterra teu invólucro e te faz
Presa de ti mesmo
Desde o lado que mastigas
As migalhas da escuridão de outras pessoas
O olho que vislumbra da ampla claridade
A centelha oclusa em breu
Ao canto alojada sendo de outro ser
A tua mesma cicatriz de escuridão
Tento eu tentáculos atravessar
A cortina férrea, onde fincas teu estar.
Talvez eu mesma em crendo a claridade
Por tentar transpor esta barreira
Seja da instransponível mediação
A luz oclusa aterrada ao que passou. [...]
Gravuras e pinturas ilustrando poesias em 2007
-
2007, novembro 6 - Poetisa: Casti, Blog: Teia de palavras:
"Vivia assim... Sacudida pelo despertar do relógio, no trem lotado e também pelas dificuldades que existiam depois da porta. Era impiedosamente sacudida, pelo homem que com ela sobrevivia... Sacudia no Samba de Fevereiro, sacudia a roupa para secar no varal. Finalmente, não mais agüentando tanta sacudidela, num dia comum de semana, sacudiu da janela do último andar onde trabalhava, espatifando-se no chão num embate final." -
2007, novembro 06 - Poetisa: Casti, Blogue das artes
"O abrigo desordenado
Improvisado
Favela
Menino descalçado
Duro percalço
Driblando a vida
A bola
Rolando na viela
A realidade revela
Bala zunindo
Indiscriminada
Pra muito homem
Pouca vela..."
-
2007, outubro 15 - Poetisa: Maria Luiza D'Errico Nieto, Blog: Recando das letras
Poema: "Meu querer"
'Meu querer...
é sonho de amores
toma forma de flores
veste-se de cores
banha-se de olores
desfruta-se em delícias
na troca de carícias
da ovelha em balidos
á espera do lobo
para soltar mais gemidos.' -
2007, setembro 5 - Minha pintura acrílica "Nua" foi exibida no blog "Literatura: amor e erotismo" ilustrando a poesia "Poema erótico" de Manuel Bandeira, postado por Karina Calado.
"Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...
Teu corpo branco e macio
É como um véu de noivado...
Teu corpo é pomo doirado...
Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...
Teu corpo é a brasa do lume...
Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...
É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...
Volúpia de água e da chama...
A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...
Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira..."
-
2007, setembro 05 - Minha pintura "Lavadeira" Ilustrou poema de Fernando Pessoa no blog da editora e poetisa Rosângela Aliberti.
"A lavadeira no tanque
Bate roupa em pedra bem.
Canta porque canta e é triste
Porque canta porque existe;
Por isso é alegre também.
Ora se eu alguma vez
Pudesse fazer nos versos
O que a essa roupa ela fez,
Eu perdeira talvez
Os meus destinos diversos.
Há uma grande unidade
Em, sem pensar nem razão,
E até cantando a metade,
Bater roupa em realidade...
Quem me lava o coração?"
Fernando Pessoa
15-9-1933 -
2007, setembro 04 - A pintura digital "Trio de amantes" foi exibida no blog Literatura, amor e erotismo, ilustrando a poesia "Boceta", de autoria de Karina Calado.
"da entrada à entranha
dessa eterna
morada
da morte diária
molhada
de mim
desde dentro
o tempo
acaba
entre lábio e lábio
de mucosa rósea
que abro
e me abra
ça a cabe
ça o tronco
o membro
acaba o tempo"
-
2007, setembro - Minha pintura abstrata foi exibida na revista eletrônica Conexão Maringá, ilustrando a poesia "O pai a flecha a gosto", de Clodomir Monteiro.
Abstrato
"Quem gera a flecha octogonal
I
Introdução do pai outono
o pai na flecha que o define
não finda o fim de quem o tem
se quem não tem vivo o seu arco
vive a procura pela haste
arremessada sem a ponta
II
constante arte armadeira
constante a haste de madeira
provida pedra aguçada
pontuda tem inconstante ferro
flèche a origem fala mecha
penas ou barbas nesta langue
III
objeto forma da flecha
se quem ataca quer vencer
munida vem de um entalhe
adaptado à corda d`arco
o pai será bem conformado
ele objeto flecha e seta
IV
pai geometria octogonal
a quem do raio perpendicular
à corda o pai acerta geometria
flecha jungida entre esta e o arco
gera figura a outra flecha bela
da natureza parteira da vida
V
na arquitetura dos arque dutos
agulha de piramidal remate
da torre igreja obra sacro oficio
templo arquiteto demais edifícios
o pai agulha construtor profano
provê fachada santos aquedutos
VI
paterna construção mecânica
Pai curvatura viga que situa
peça obediente transversal esforço
integra inteiro o seu comprimento
à largura abaixo e acima flutua
não cria só com a terra mãe atua
VII
reina sagittaria montevidensis
na embocadura também reina flecha
do pai rebento enxerto terminal
flecha galocha a proteger a brecha
inflorescência fogo das gramíneas
pai planta aquática ornamental
VIII
botão da paternidade botânica
sinal do desenho certeira flecha
durante a vida educa e dirige
pai quase sempre martim - pescador.
busca comida outonando amor
flecha de parto filho pai revive" -
2007, setembro - Minha pintura digital "Moça dormindo" ilustrou a poesia "Esposa", de Benílson Toniolo, publicada na revista eletrônica Conexão Maringá.
"Meu olho cravado na treva do teu gozo
Sobre as pernas te sustento madrugada afora
Um alfabeto inteiro pra traduzir-te um sussurro
Que exala da ressecada saliva
Desenha o balé das ondas com teu dorso descoberto
E as estrelas dos teus centros se dilatam
Cegamente vagueiam e arfam os poros
Um sol imenso escancara o riso fácil que buscavas
Repousa então o caule inerte do teu corpo
Sobre a tênue luz da minha pele libertada"
-
2007, agosto 21 - Minha pintura a crílica "Janta" foi exibida no blog Teia de palavras, ilustrando poesia de Casti
"Prato fundo
Janta minguada
Temperada em silêncio
Vela chorada
No breu da solidão
Lida infinda
Onde o diabo
Não perdeu as botas
Onde a fome se aloja
Na barriga
Dos irmãos...
Família grande
Pai autoritário
Coração duro
Mandacaru puro
Com tempo certo
Antes da janta
Agradecendo
Difícil vida
Murmurada
Em decorada
Oração..." -
2007, junho 27 - Minha pintura acrílica "Minina barreno" foi exibida no blog Teia de palavras, ilustrando a poesia "Teias do dia"
"E ela resolveu em dia comum colocar mais tempero na panela... Mexeu nos frascos procurando cheiro forte, cores vivas e uma inquietante receita começou a borbulhar no caldeirão... Algumas vezes era preciso tirar o avental, troca-lo por pérolas e saltos... A futilidade em medida proporcional ao cotidiano era essencial para não deixar o cheiro da cebola provocar lágrimas além das necessidades..."
-
2007, junho 18 - Minha pintura digital "Lavadeira" foi exibida no blog Teia de palavras, ilustrando poesia de Casti.
"Tanta roupa
Olha o sabão
Orçamento
Pouco tostão...
Esfrega
O futuro
Cheiroso
Preocupado
Em bolhas
De sabão." -
2007, junho 10 - Minha pintura acrílica "Trigo" foi exibida no blog "Rosângela Aliberti", ilustrando micro-poesias "Um pouco de Poetrix VII", de Rosângela Aliberti.
Aspiro Letras
Leio Poesias
Sem odor nem cifras
Vagando no(s) espaço(s)
...
CleptoPOEMANIAS nas cabeceiras
Passos irresistíveis...
passeios de mãos... nos versos
revirando criados-mudos
...
Caminhos da Cura
Curar a si mesmo
É preciso
Para auxiliar a quem precisa
...
Às SombraS
Quando tu permitires
caminharam... contigo
pequeninos candeeiros
...
LOUVO O PÃO
Sagrado Alimento
Pão Nosso em bagos
Letras de Esper@nça
...
Sagrado Pão Nosso de cada dia
Quinze bagos de trigo:
E S P E R A N Ç A
Poesia... Ave Marias!!!
...
Incógnitas
Nasceram Poemas
dos punhos dos Zés-Ninguém
(in)visivelmente mágicos
...
Arquivo X
Há candidatos: confesse
a ETs na orbe terrestre
- Quem não leva jeito?!
...
CICLOPE
Tirou o óculos
olhando para o espelho
morreu pulveriZado
...
Línguas de sogra
Não tenho mais 1 sogra?
tenho a língua doce
Gosto de sogras
...
Pedacinhos de coração
Para trocar letras
(minh)a caneta estará contigo
sempre livre para duetar
-
2007, maio 12 - Foi exibida no blog Cantares de amigo, ilustrando o poema "ícaro", do poeta Al Berto (avelaneiraflorida)
"Aprendeu a separar o nocturno zinabre
do transumante desejo e poro a poro o dia
larga sobre a pele os perfumes da terra
e o tempo cobre-se de cardos em cinza
tem o olhar escondido na inquietação da luz
guarda no peito o sossego dormente das pedras
um ombro de sombra dá-lhe frescor à boca
mas se ao morrer o abrissem ao meio
nada encontrariam
nem vísceras nem ossos nem sangue
apenas poalha de água
e a dor da infindável travessia" -
2007, maio 04 - Poetisa: Maria Ostra, Maria vai com as Ostras, Poema: 'A cobra'
'despe
a
pele
a
pouco
e
pouco
barulho
:p'
-
2007, abril 29 - Minha pintura à óleo "Mulheres no varal" foi exibida no blog Livro de cabeceira, ilustrando a poesia "Vozes bugras", de Anabel Andrés.
"São vozes de resistência
Vozes que trazem a reverberação de antigas vozes
Indígenas, africanas, ibéricas:
Vozes raízes
Vozes escravizadas, fugidas, rebeladas, indomadas,
por mais abusadas que tenham sido
Vozes mestiças: caboclas, cafuzas, mamelucas, mulatas
Vozes camponesas, urbanas, suburbanas
Que continuam a ecoar
em cada mulher deste Brasil
São vozes geradas no ventre da Grande Mãe
Vozes de guerreiras
Que nunca deixam de sonhar
E de celebrar a vida
Vozes que o tempo não há de calar
Há de festejar" -
2007, abril 25 - Minha pintura à óleo "Boteco" foi exibida no blog Cultura Popular, ilustrando a poesia "A eterna dúvida":
"Certa vez eu parei perto de um bar bem longe daqui,
Se não for engano meu,
Eu pedi uma pinga com mel de pequi.
Nem me lembro se fui só pra tomar aquilo,
Ou se estava mesmo disposto a curtir.
Olhei pra todos os cantos
E reparei num bêbado ali do meu lado.
Se não me engano ele estava em pé,
Ou será que estava sentado?
Só me lembro que ele recitava uma poesia,
Com charme de menino apaixonado.
Acho que pedi outra dose
Daquilo que estava tomando,
E o bêbado ali do meu lado
Continuava recitando.
Talvez eu não tivesse nada melhor pra fazer
Ou estivesse realmente gostando.
Acho que ele falava de amor,
Talvez de um amor que ali mesmo nasceu.
Ou então poderia ser
De um amor que ali se perdeu.
Mas se não for engano meu,
Talvez eu estava o tempo todo ali sozinho
E aquele bêbado era eu."
-
2007, abril 12 - Minha pintura à óleo "Forró" foi exibida no blog Teia de palavras, ilustrando poesia de Casti
"Dá um "cheiro"
"Arretado"
Faz uma rima
Com sorte
Arreganha
Um sorriso
Luz do archote
Lasca um beijo
No cangote
Pesa o passeio
Da mão
No corpo
Antes redoma
Agora resolve...
Toma
Doma
Do sul
Ao norte..."
Gravuras e pinturas ilustrando poesias sem data
-
Poeta: Antônio Manoel Abreu Sardenberg, Site: Sardenberg Poesias, Poema: "Semeador"
"Semeie, semeador!
Lance no sulco a semente,
Deixe que a chuva e o calor
Façam ela germinar,
Dar fruto e alimentar
A mesa de muita gente.
Semeie, semeador,
Com suas mãos calejadas,
O grão do trigo, a mostarda,
Soja, arroz e feijão.
Semeie, assim, a esperança
De transformar o Brasil
Na mais sólida nação...
Semeie, semeador,
Jogando a cana na cova,
Pois com isso fica a prova
Que você adoça a vida
Fazendo-a menos sofrida
E muito mais saborosa...
Semeie, semeador,
Milho, algodão e café,
Semeie com muita fé
Mostrando pro mundo inteiro
Que você é o celeiro
Que mantém a vida acesa
Dando pão ao mundo inteiro!" -
Poetisa: Maria Luiza DErrico Nieto, Blog: Recanto das letras, Poema: "Somos únicos"
"Nesta emoção pujante
um sonho se faz real
Na cumplicidade dos amantes
em abraço sensual...
Corações pulsando amor
dois em unicidade
Vidas em sintonia
agora e na eternidade...
Somos assim... únicos
corpos e almas reticentes
Existências devotadas
a este amor ardente..."


















































































