|
João Werner Pinturas Cinzas Outras páginas
site publicado desde 22/09/2003 *** 6 anos online ***
|
"Um causo campesino"Freddy Diblu, poeta
No horror dos vivos tortos, o corpo se empenha; Na lembrança dos mortos, a alma liberta não erra.
Ao pé do fogão à lenha Bão café aos ares do céu Conta o da prosa prenha Zé Negrim negrim negrim Do pixaim branco de guerra O seu resguardo de casiléu E família de luta sem-terra Que quando defuntar enfim Calejado da labuta da terra Do molhe-molhe ingrato Ajeite ele encovado assim Terno de missa e botas mel A sete-palmos que se encerra Bem no eterno asilo do mato Lá junto à porteira d'Oziel
Ih-é! Zé Negrim negrim negrim Do pixaim branco de guerra...
Quer Zé Negrim ave-marias Um alvorecer todo de pipiras Retrato dele à vela de sete dias A meninada de olhar assuntado Violas dedilhadas no trato caipiras ‘Té amigos de beiço pingalhado Quer suas mãos gravadas em argila Ser Zé Negrim por muitos alembrado A enxada-de-roça seu digno troféu Dentadura d'oiro sorrindo pra agrovila Que tudo na memória tem motivos Lá junto à porteira d'Oziel* “Pra modo d'alma deixar os vivos”
Ih-é! Zé Negrim negrim negrim Do pixaim branco de guerra...
(*) Assentamento Oziel Alves Pereira, em Minas Gerais.
Poesia sobre o "Monumento ao Trabalhador Rural"
|
|